Doenças

Febre Amarela – voltando com tudo?

A Febre Amarela é uma doença antiga em nosso país.  Alguns podem se lembrar da época da escola quando estudamos em história o grande feito de  Oswaldo Cruz e sua vitória contra os mosquitos e a doença no Rio de Janeiro, apesar das revoltas contra as vacinas.

Epidemias importantes nas Américas, África e Europa aconteceram antes da descoberta em 1900 de que se tratava de uma doença transmitida pelo mosquito, e com isso foi deflagrado um ataque ao seu vetor urbano, o Aedes aegypt.

Mas o que é realmente a febre amarela urbana e a silvestre? Somente depois da descoberta do ciclo pelo A. aegypt, considerou-se que havia um ciclo silvestre na África, envolvendo mosquitos A. aegypt e macacos. Com a colonização do Novo Mundo com o A. aegypt, originalmente uma espécie africana, foi estabelecido a Febre Amarela urbana e um ciclo silvestre da Febre Amarela acontecendo de forma independente nas selvas americanas, envolvendo mosquitos Haemagogus e macacos.

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Em 1905 houve mais de 3000 casos, com 452 mortes em Nova Orleans por Febre Amarela.

Apesar da existência de vacina altamente eficaz e segura, várias centenas de casos de Febre Amarela silvestre ocorrem por todo ano na América do Sul e formas urbanas na África. Reações às vacinas são mínimas e a imununidade é proporcionada em 10 dias e dura 10 anos (atualmente o CDC – Center for Disease control and Prevention– tem questionado a necessidade de reforço da dose ou não)

A vacina deve ser evitada em pessoas com alergia a ovo, imunodeprimidos (já que se trata de vacina com vírus atenuado), crianças com menos de 1 ano, grávidas (porém o risco benefício deve ser avaliado caso a caso)  e vacinar idosos com cautela.

Mapa de áreas com risco de Febre Amarela:

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Pesquisadores da área de Minas Gerais já tinham alertado sobre possível surto de Febre Amarela Silvestre pela presença de macacos mortos pela doença nos último meses, e que estes surtos ocorrem de uma forma cíclica. O que preocupa a população, no entanto, é a reentrada do vírus em meios urbanos, devido à constante urbanização e desmatamento de áreas rurais, e o grande número de mosquitos Aedes aegypt no Brasil, também responsável por surtos recentes de dengue (4 tipos), Zika e Chikungunya no país.

A Febre Amarela é uma doença grave, caracterizada por febre, necrose hepática proeminente, hemorragias, alterações renais e outras graves manifestações. O seu tratamento é apenas de suporte. O número crescente de óbitos nos últimos meses nos remete novamente à importância de de medidas preventivas, tais como: CONTROLE RIGOROSO DO MOSQUITO AEDES AEGYPT, USO DE REPELENTES E VACINAÇÃO O MAIS PRECOCE POSSÌVEL CASO SE MORE OU VIAJE PARA ÁREAS DE RISCO.

Se isso foi possível no início do século XX podemos também agora evitar esta possível epidemia de Febre Amarela Urbana.

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No seu livro “Médico Doente”, o Dr. Draúzio Varela relata como contraiu a doença ao viajar para região endêmica de Febre Amarela sem tomar a vacina e como acabou vencendo esta grave doença.omed__00773_zoom

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3 comentários em “Febre Amarela – voltando com tudo?”

  1. Dra. Livia, ótimo texto! Precisamos de consciência com relação ao lixo urbano e suas implicações em nossa saúde. Além disso, fica mais uma vez clara a importância da vacinação. Sigamos vigilantes!!!

    Curtido por 1 pessoa

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